
Nos tempos, as convenções sociais mudam
ligeiramente. Mas mudanças significativas só são sentidas muito tempo depois.
Em se tratando de costumes bíblicos como o casamento, o que temos são
inferências e também as cenas iniciais em que seu fim é um casamento.
Seria
estranho dizer que Jesus se casou até meados do século passado, mas desde a
década de 80 iniciam estudos literários com mais liberdade e hoje se tornaram
populares entre os acadêmicos. E a Bíblia tem sido exaltada por alguns críticos
literários. Até mesmo Christopher Hitchens falou sobre a beleza literária e
educação formal com o conhecimento da Bíblia e Shakespeare[1].
Pontos de convenção
Nos
tempos patriarcais temos dois textos que relatam o encontro dos nubentes:
Isaque (representado por Eliezer) e Rebeca e também Jacó e Raquel. Enquanto
escravos no Egito o povo, temos Moisés e Zípora. Mais tarde no tempo dos juízes
temos Rute e Boaz, até que chegamos ao Novo testamento com Jesus e a mulher da
cidade de Samaria.
A convenção formal que se tem destes exemplos tem variações, sendo narrações mais curtas ou mais longas, pois não são ciência exata, mas mantém pontos que se fazem fáceis de perceber (Rute porém, é mais discreto). Os pontos seriam:
· Saída da terra natal
· Chegada em um poço estrangeiro
· Chegada da segunda personagem
· Diálogo
· Convite
Na primeira referência temos o casamento de Isaque (Gênesis 24), onde o escravo Eliezer o representa, sendo ameaçado de morte por um juramento ao seu senhor, Abraão. Eliezer chega ao poço e Rebeca depois.
Na segunda, temos Jacó chegando a terra estrangeira fugindo de seu irmão (Gênesis 28-29.28). Ele chega ao poço e depois Raquel.
Em Êxodo temo as terceira referência, quando Moisés abandona o Egito (onde nasceu e foi criado), por assassinato (2.15-22). Ele chega ao poço e depois Zípora com as irmãs.
No livro de Rute a quarta referência não tão explicita, mas acontece. Logo no começo do livro, Malom e Quiliom se casam com estrangeiras, mesmo não se tendo poço ou convite, o ponto formal “Saída da terra natal” está lá. No segundo capítulo é que o papel inverte e é Rute quem chega em terra estrangeira. Há um progresso na escrita, mas os pontos da convenção estão no texto, até mesmo o poço (v.9).
O casamento de Jesus
No
quarto Evangelho temos um retorno à convenção ao modo patriarcal e mosaico:
· Jesus vai para terra estranha (Samaria)
· Chega ao poço primeiro
· A mulher chega depois (representando a cidade de
Samaria)
· Diálogo
· Convite
O autor do quarto Evangelho mescla ainda um pouco de teologia sacerdotal no casamento quando ecoa 2 Reis 17.24-41, onde Jesus atua ensinando a adorar ao Deus da terra.