A prolepse
constitui uma figura de estilo mediante a qual se adianta o enunciado de um epíteto,
um argumento ou uma ação, como se já tivesse ocorrido a circustância que lhe
diz respeito e que necessariamente os precederia[1].
Há dois tipos de prolepse: um é ligado ao tempo da narrativa. O outro ocorre
quando um orador responde previamente uma eventual objeção como em Jr 7. 4.
No caso de Abrão e Sarai o que temos é uma prolepse ligada ao tempo da
narrativa, muito parecido com o que ocorre nos evangelhos[2].
O êxodo é o marco fundante da religião de Israel e de seu povo e por
isso a prolepse acontece logo no início da chamada de Abrão com o texto
narrativo e mais tarde ela volta quando o pensamento de Deus é revelado pelo
autor ao Abrão dormente aos
seus ouvintes/leitores em Gn 15. 13, 14.
Pontos
de contato
Os pontos narrativos de contato são:
·
Fome e ida ao Egito
·
sofrimento
·
punição
·
liberdade
·
bens adquiridos
Fome é o que leva Abrão ao Egito e também Jacó e todo seu clã familiar. O sofrimento de Sarai
nas mãos de Faraó é representado no amargor da escravidão do povo. A punição
divina com pragas é novamente apresentada pelas pragas no Egito. A liberdade é
adquirida mediante punições. Bens são doados a Abrão e ao povo para que fossem
embora o mais presto possível.
A prolepse tem a função de fazer com que o leitor/ouvinte tenha sempre
na memória pontos muito importantes numa metanarrativa.
[1]
MOISÉS, M. Dicionário de termos literários, 5ª ed., 1988, p.417, 18, Editora Cultrix.
[2]
Nos evangelhos, a narrativa da paixão é sempre antecipada por Jesus em seus
discursos e ensinamentos (Mc 8.31).
