quarta-feira, 6 de novembro de 2019

HISTÓRIA DE ISRAEL: Teologia e Literatura no exílio

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O exílio de Judá marca um novo período na história de Israel. De acordo com Harrison, um sentimento de ódio e ressentimento é a reação de alguns dos exilados. Outros são movidos por humilhação e vergonha.[1] Literaturas movidas por esses sentimentos e questionamentos não faltam. Segundo Konrad Schmid, o fenômeno mais imediato foi o surgimento de textos de lamentação.[2] Lamentações de Jeremias, Jó e alguns dos Salmos são exemplos de escritos que revelam estes sentimentos. O exílio significou morte, deportação, destruição e devastação.[3]

O livro de Lamentações[4] traz em suas cinco poesias o queixume de quem presencia a destruição de perto e que tem Deus por seu inimigo maior; inimigos como Edom e até mesmo a própria Babilônia ficam em segundo plano. A ruína do Templo, da cidade e do povo é contada como o são também em alguns povos próximos. Imagens descritivas de terrível violência foram encontradas em escavações arqueológicas de cidades como Ur, Nippur e Suméria.[5]

A
lguns Salmos trazem as mesmas inquietações e sentimentos; O Salmo 137 é um deles. O Salmo ficou famoso e conhecido mundialmente por sua regravação por um grupo musical de nome Boney M em 1978.[6] Não só a humilhação se faz presente, mas também o ódio aos inimigos: Babilônia e Edom (7-9).

O livro de Jó questiona a Aliança[7] e a causa dos justos que foram levados cativos. O autor do livro faz questão de deixar claro que Jó era justo e que não havia espaço para pecado ou qualquer outra falta. Os diálogos vão para o centro de toda a causa: Por que sofro se tenho em consideração as palavras
do Santo?



[1] HARRISON, R. K., Tempos do Antigo testamento. 2010, Rio de Janeiro, RJ, CPAD, p. 265.
[2] SCHMID, Konrad. História da literatura do Antigo Testamento: uma introdução. 2013, São Paulo, SP, Loyola, p. 143.
[3] KLEIN, Ralph W., Israel no exílio: uma interpretação teológica. 2012, São Paulo, SP, Academia Cristã, p. 16.
[4] A autoria é atribuída ao profeta Jeremias tradicionalmente.
[5] MILLER, S. M., Guia completo da Bíblia. 2015, Rio de Janeiro, RJ, Bv Books. p. 208.
[6] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Boney_M> Acesso em: 20 de Junho de 2018
[7] A aliança disposta no Deuteronômio é conhecida como teologia retributiva.

terça-feira, 16 de abril de 2019

A ASCENSÃO DE JESUS E O GÊNERO LITERÁRIO



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Quando falamos de gêneros literários, estamos dizendo de textos que são parecidos na sua forma de relato, narração[1]. Em relatos de assunção ou de ascensão[2], o herói desaparece de forma fantástica: vivo, ele passa a pertencer o mundo divino. Estamos nos referindo a textos que trazem o seguinte formato. Veja o exemplo da personagem Enoque (Gn 5.24[3]):
·         E andou Enoque com Deus;
·         e não apareceu [mais],
·         porquanto Deus [para si] o tomou.
O primeiro elemento pertence a historia da personagem, anteriormente narrada; o segundo elemento é a elevação/arrebatamento que confirma sua comunhão com Deus. O último elemento é a continuidade da vida da personagem no mundo divino.

O desaparecimento fantástico da personagem cria a espera da sua volta, e tal espera se prolonga indefinidamente no tempo, ultrapassando séculos. Elias (profeta do séc. IX a.C.) é um exemplo dessa espera, pois a tradição judaica diz que Elias traria o messias. Uma das canções tradicionais de páscoa diz:
“Elias, o profeta
Elias, o tesbita
Elias, o gaaladita
Que nos venha depressa
Com o messias.”[4]

Outro personagem que tem uma “assunção às avessas” é Moisés com seu enterro (se bem que temos no Novo Testamento a citação de Judas sobre sua assunção[5]).

A ASCENÇÃO DE JESUS AOS MOLDES DE ELIAS
Elias, o representante de Javé, tem sua ascensão muito parecida com a de Jesus. Elias é visto somente por seu discípulo, Eliseu. Jesus, por seus discípulos. O recebimento da capa por Eliseu é o mesmo que acontece com os discípulos de Jesus quanto ao recebimento do espírito que repousava sobre ele, o Espírito Santo.



[1] Em crítica literária, o termo às vezes é usado como sinônimo de história, fábula, ação. MASSAUD, M., Dicionário de termos literários, 5ª ed., 1988, p.355, Editora Cultrix.
[2] A diferença é semântica e foi assumida definitivamente pela teologia: Jesus ascendeu, isto é, subiu pelas próprias forças; outros personagens foram assuntos.
[3] Bíblia ACF
[4] COMAY, J., Quem é quem no Antigo Testamento, 1998, p. 104, Imago editora.
[5] Judas v.9